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Líder comunitário diz que Norte Energia ameaçou demolir sua casa por organizar Xingu+23 Envie para um amigoImprimir

O pescador e liderança da comunidade de Santo Antonio, Élio Alves da Silva, recebeu no início de junho um ultimato para abandonar a sua casa. Segundo ele, advogados da Norte Energia, que já desapropriou a maioria das habitações da vila, disseram que sua casa será demolida nesta quarta (6), e ele poderá ser multado em R$ 10 mil. Élio é presidente da Associação de Moradores de Santo Antonio, onde acontecerá um encontro dos atingidos por Belo Monte, o Xingu + 23.

Assim como a maior parte dos moradores da vila, o pescador já foi oficialmente despejado, mas fechou um acordo verbal com a Norte Energia para permanecer no local para acompanhar, como presidente da Associação, o processo de remoção das famílias.

“Mas no dia 1º, um advogado e um outro cara [da Norte Energia] levaram uma papelada pra eu assinar. Disseram que iam derrubar a minha casa e que eu precisava assinar [para autorizar]. E que se eu não autorizasse, ele ia lá com a polícia, derrubava a casa e me dava uma multa de 10 mil reais. Eu não assinei e nem vou assinar, e pra derrubar meu barraco só se passar por cima de mim primeiro”.

Nesta terça, Élio procurou a empresa para negociar. “Me deram um prazo de 48 horas, que vencia ontem. Aí eu fui lá na Norte Energia, e eles disseram que vão derrubar amanhã”, relata o pescador. “Eles disseram que já passou tempo demais, que o meu tempo de desocupar já venceu e que, já que eles são os donos da área, eu teria que sair”.

Envolvido na realização do que pode vir a ser a última missa de Santo Antônio, atividade que abre o encontro, Élio acredita que esteja sendo perseguido politicamente. “Isso aí é pressão por causa do Xingu +23″, afirma. “Eles atrasaram dois meses a carta de crédito [indenização pela casa], e agora fazem isso?”

O caso
Élio teve a indenização de sua casa avaliada em cerca de 25 mil reais. Por considerar o valor baixo demais, optou por receber como mitigação a carta de crédito, que permitiu que ele comprasse uma pequena chácara onde agora planta cacau. “Queria mesmo era continuar cuidando de peixe, mas não achei terra perto do rio que eu pudesse pagar”, conta. Élio também tem sofrido de dores nas costas e no peito, graças à mudança nos hábitos de trabalho.

Mesmo tendo conseguido a nova terra, a mais de 30km do rio mais próximo e a 80km de onde atracava sua canoa, Élio, como liderança comunitária, exigiu que a empresa permitisse que ele permanecesse na vila, para que pudesse acompanhar as remoções.

Como a comunidade foi desapropriada às pressas e de maneira precarizada, muitas outras famílias continuam vivendo no local; ou porque usam a escola, ou porque ainda não receberam indenizações ou cartas de crédito, ou porque estão sendo processadas judicialmente pela empresa.

(Por Ruy Sposati, Xingu Vivo, 05/06/2012)

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