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Greenpeace acusa JBS de exportar produtos à base de fornecedores sujos Envie para um amigoImprimir

O Greenpeace divulgou, nesta quarta (6), o relatório “JBS – Reprovada: Como a maior empresa de carnes do planeta continua massacrando a Amazônia” no qual afirma que a multinacional brasileira não conseguiu garantir que seus fornecedores não estejam envolvidos em desmatamento ilegal, trabalho escravo e invasão de Terras Indígenas e de Unidades de Conservação. O BNDES é sócio da empresa, controlando 31,4%.

Segundo a organizacão, por conta desse alerta, oito grandes clientes da JBS na Europa, como Adidas, Tesco, Clarks, Ikea, Princess, Sainsbury’s, Asda e a gigante de alimentos Sligro Food Group, já teriam informado à empresa que cancelaram ou não vão mais renovar seus contratos. De acordo com o Greenpeace, as multinacionais alegam que só voltarão a negociar com a JBS depois que ela honrar o compromisso de forma transparente e passível de ser monitorada.

“O mercado hoje não aceita relações com qualquer crime socioambiental. Já passou da hora de o maior frigorífico do mundo limpar sua lista de fornecedores para garantir que seus consumidores não participem da destruição da Amazônia”, diz André Muggiati, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, em nota divulgada à imprensa.

Essa é uma das atualizações do relatório “A Farra do Boi“, lançado em 2009, que denunciava como produtos de fazendas com trabalho escravo e desmatamento chegavam ao consumidor.

Relembrar é viver
Com base em um levantamento feito em parceria com o Incra, em 2009, o Ministério Público Federal do Pará iniciou duas dezenas de processos judiciais contra fazendas e frigoríficos, pedindo o pagamento de R$ 2,1 bilhões em indenizações pelos danos ambientais no final de maio de 2009.

Dezenas de empresas que compraram subprodutos desses frigoríficos receberam notificações em que foram informadas que haviam adquirido insumos obtidos através do desmatamento ilegal da Amazônia e do trabalho escravo A partir da notificação, deveriam parar de comprar desses fazendeiros e frigoríficos ou passariam à condição de co-responsáveis pelos danos ambientais.

Entre as empresas notificadas estavam varejistas como Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar. Entre os frigoríficos processados aparecia um dos maiores do país, o Bertin, hoje sob controle do JBS, que comprou gado de fazendas com crimes ambientais. Entre as fazendas irregulares, nove pertenciam à Agropecuária Santa Bárbara, ligada ao banqueiro Daniel Dantas.

Apesar da chiadeira de produtores rurais e das bravatas de seus parlamentares ruralistas, o varejo respondeu à ação. Por exemplo, as redes de supermercados acataram as recomendações, pressionando os frigoríficos. As grandes indústrias processadoras de carne e o governo do Pará começarm a assinar, após um mês de negociações, termos de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal. Com o tempo, municípios paraneses e frigoríficos menores foram envolvidos no processo.

Os acordos do Pará foram os primeiros e contribuíram com a diminuição no índice de desmatamento no Estado. Eles acabaram sendo repetidos em outros Estados a ponto de ser necessária a criação de um acordo regional. Há dois meses, o Ministério Público Federal propôs a representantes de frigoríficos e exportadores de carne bovina um acordo unificado para regularização ambiental e social da cadeia produtiva em toda a região amazônica, uniformizando as obrigações e incentivos dados aos produtores rurais.

Dessa forma, as indústrias beneficiadoras e exportadoras de carne bovina se comprometem a comprar matéria-prima apenas de produtores rurais que não cometam desmatamento ilegal, façam o georreferenciamento de suas propriedades, iniciem o processo de licenciamento ambiental e não tenham ocorrência de trabalho escravo, invasão de Terras Indígenas, quilombolas, de comunidades tradicionais ou Unidades de Conservação.

Em contrapartida, o MPF propõe o desembargo simplificado das propriedades que se comprometam com a regularização, a obtenção de crédito rural sem exigência de certificação, melhorias nos sistemas de controle de trânsito de animais, prioridade na regularização fundiária e no cadastramento dos imóveis rurais.

(Blog do Sakamoto, 06/06/2012)

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