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Petróleo e Derivados, Acidentes, Passivos Socioambientais

Culpar parceiros é tática para evadir responsabilidade em acidentes Envie para um amigoImprimir

Parece até bonito ver duas gigantes da indústria do petróleo se detonando publicamente, tentando uma culpar a outra pelo passivo que compartilham. Mas talvez tudo seja apenas jogo de cena.

O cenário, no caso, trata ainda da explosão da plataforma Deepwater Horizon, ocorrido em Abril de 2010 no Golfo do México. O maior vazamento de óleo dos EUA, e um dos maiores do mundo.

Esta semana a British Petroleum (hoje chamada de "BP") entrou com uma ação judicial contra a norte-americana Halliburton, reivindicando o pagamento de pelo menos parte dos custos de limpeza do vazamento, indenizações, mais perdas e danos sofridos por conta do desastre. A ação não estipula um valor, mas estima-se que só o trabalho de limpeza pode somar mais de US$ 40 bilhões.

O argumento da BP é simples: a Halliburton foi contratada para os serviços de cimentação do poço Macondo, onde operava a plataforma que explodiu. Técnicos dizem que falhas nesse trabalho foram responsáveis pela extensão do acidente.

A companhia norte-americana se defende atrás da cláusula de "indemnity" do seu contrato com a BP. Esse instrumento isenta legalmente a contratada por eventuais acidentes ou danos, e é normal em sub-contratações e parcerias internacionais.

Mera coincidência
Independente de quem esteja com a razão, o fato é que pensar que uma subcontratada execute qualquer tarefa sem o aval da contratante desafia a lógica corporativa, especialmente em uma operação de alto risco como a exploração petrolífera em águas profundas. Na real, parece mesmo que culpar as parceiras é uma estratégia da BP para limpar sua imagem e livrar a cara dos seus executivos ameaçados por ações na justiça dos EUA.

Vale lembrar que em 2011 a Transocean, outra parceira da BP na Deepwater, apresentou um relatório de quase 900 páginas sobre o caso. No documento são listados uma sucessão de decisões tomadas por executivos da British Petroleum que "comprometeram a integridade do poço, aumentando o risco de falhas".

Aliás, a Transocean também está envolvida no derramamento de petróleo da Chevron na costa do Rio de Janeiro (http://www.ambienteja.info/ver_cliente.asp?id=174683). Portanto, não surpreenderá se jogar a culpa nos parceiros também for a tática adotada para explicar o acidente no mar do Brasil.

(Por Mariano Senna, Ambiente JÁ, 05/01/2012)

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