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Artigo (Mayron Régis) - O "paraíso ambiental" da Alcoa Envie para um amigoImprimir

O mundo natural, para “alguns”, resume-se a uma série de ponderações sobre qual o melhor restaurante para almoçar ou qual melhor praia para se bronzear sem que se perca muito tempo. Fica bem patente que se tentou evitar, na frase anterior, as generalizações que esborracham quaisquer raciocínios, sim, porque “alguns” não quer dizer todos e nem a maioria da sociedade.

Esse “alguns” quer dizer, simplesmente, segmentos da sociedade que aprisionam para si, para os bairros onde moram e para os seus locais de trabalho as melhores políticas públicas que a prefeitura, o governo do estado e em o governo federal abatem dos impostos pagos por todos, até porque como se sabe impostos são criados para sustentar a máquina estatal e não para melhorar as condições sócio-ambientais da população como um todo.

O discurso propende para a generalização, mas as políticas públicas, desde os anos oitenta, foram sacadas de seu contexto universal pelos órgãos de planejamento e pelas instituições de financiamento multilaterais e ganharam contornos de mera propaganda dos potenciais econômicos de uma ou outra região. Mero chamariz ou mero chafariz que se inaugura num dia e no outro já pregou.

A palavra “alguns” pretende metaforizar a privatização dos recursos naturais, financiada com dinheiro público, principalmente, mas a realidade compensa quaisquer figuras de linguagem. Um dos consultores da STCP, lotado em Teresina, em uma das primeiras reuniões sobre o projeto da Suzano para o estado do Piaui, lembrava o dia em que o convidaram para trabalhar no estudo de impacto ambiental. De imediato associou nordeste e praia e pensou como folgaria depois de dias no batente da coleta de dados.

A imagem sobre a região nordeste veiculada pelos meios de comunicação de massa se atola no discurso preconcebido de que qualquer lugar fora dos centros urbanos seria um “paraíso” ambiental e que lá o povo vaga como em uma maré mansa. Esse é o invólucro que chega às mãos na forma de um folder e etc. Só que para um paraíso, os “alguns” vão num dia e voltam no outro. Para o trabalho, eles vão todos os dias. Quem ganha e quem perde com isso? Um “paraíso” ambiental protege exatamente o quê, pois enquanto milhares confluem para este “paraíso” outras tantas confluem para outras áreas que não apresentam nenhum status e depredam?

A ilha de São Luis, estado do Maranhão, está mais para os “paraísos fiscais”, onde são depositadas riquezas ilícitas. Com a ampliação da refinaria da Alumar, uma joint-venture da Alcoa, Alcan e Billiton, mais áreas na zona rural de São Luis vão servir de depósitos para os rejeitos. Uma dessas áreas é Aracáua. Ela faz parte da gleba Tibiri-Pedrinhas. A Alcoa faz questão da presença do presidente Lula na inauguração da ampliação.

Nessa área de 800 hectares, no começo dos anos 80, quando o governo do estado entregou toda a gleba para a Alcoa, moravam 300 famílias que hoje se espalham pela cidade de São Luis. Mesmo o governo do estado reconhecendo que essa área legalmente pertence à família do senhor Zé Carlos, os direitos dos moradores à indenização ou de voltarem à área nunca foram atendidos.

Na época do governo Jackson Lago, a Alumar se sentou com a SINCT e com a Procuradoria do Estado. Nessa reunião o governo tentava obter de volta parte gleba para a criação de assentamentos rurais, mas a Alumar desertou na hora da idéia.

(Por Mayron Régis*, EcoDebate, 09/12/2009)

* Assessor Fórum Carajás, colaborador e articulista do EcoDebate

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